Em defesa das minorias
Depois de ampliar a questão do preconceito e discriminação, vou agora tomar frente das minorias que mais sofrem atualmente… Já passou da hora de o governo agir em prol dessas pessoas, que por serem diferentes do resto da população, são alvos de forte pressão social, marginalizadas e excluídas do nosso mundo! Não, não falo de gays, negros, judeus etc. Estou falando de um tipo que perpassa as questões de cor, orientação sexual e credo. Saio em defesa das pessoas inteligentes!
Essa espécie tão rara nos dias de hoje vem sendo massacradas pela grande mídia que nos empurra goela abaixo “Calypsos”, “BBB”, “novelas do Miguel Falabella” e “hits do funk carioca”. Não há mais espaço para expressar idéias inteligentes. E se usarmos sarcasmo como lubrificante de falas, aí fodeu! É sério! Faça um teste simples: a faculdade é um lugar onde supostamente as pessoas estudam, refletem e debatem sobre o conhecimento artístico, filosófico e científico que a humanidade nos legou. Pena que na prática não é bem assim… Chegue em um grupo qualquer de uma Universidade FEDERAL, escolha a disciplina aleatoriamente, digamos que nossos escolhidos sejam de Filosofia. Em menos de cinco minutos você ouvirá um repertório de citações de Nietzsche, Platão, Hobbes, Heiddegger, Foucalt e um monte de gente badalada no meio. Dependendo do time pro qual eles torcem… er… quer dizer, da corrente ideológica a qual pertencem, eles odiarão um monte de gente que nunca leram, mas que foram alvos de críticas dos seus autores preferidos. Profundidade? Pra quê? Se “todo mundo” gosta de Nietzsche é porque é bom, então ele está certo. Simples assim!
Escolha agora Psicologia: é um tal de Freud pra lá, Lacan pra cá, Deleuze pros dois lados… Replicações de citações dos outros, e mais exemplos práticos do que chamo de “Teoria da Vaca”. Teoria da Vaca não é uma teoria, no sentido estrito do termo. É mais um comportamento comum do estereótipo “intelectualizado”: não se cria nada novo, não se reflete sobre uma idéia, apenas coleta-se o maior número de fontes intelectuais para usá-las em conversas. É extremamente comum ver argumentos do tipo: “Segundo Fulano de Tal…”, ou “Foi Fulano de Tal quem disse isso. Vai discordar dele?”… Ao invés de usar o legado cultural de nossos antepassados como base para a criação de nossa própria obra, limitam-se a ruminar o que foi dito anteriormente. São replicadores de idéias alheias, tomando um ar afetado no mais perfeito estilo “House” para afetar um conhecimento que de fato não possuem. São enciclopédias ambulantes, engessados por leituras e mais leituras rasas de livros profundos, incapazes de fazer algo com toda a informação absorvida, limitando-se a soltar dados como se fossem um Google, pronto para listar um resultado na busca por palavras-chave.
Mas as duas áreas citadas acima se restringem, ao menos, a ruminar temas dentro do seu escopo profissional. No afã de parecerem sábios, emitem opiniões definitivas sobre temas que não dominam, mas ainda assim não fogem de sua área (normalmente). Agora, pior são aquelas formações cujo foco é “tudo e todo mundo ao mesmo tempo”. Passam anos na faculdade vendo de tudo: uma disciplina de Filosofia, outra de Sociologia, uma sobre algum tem Técnico, Antropologia, Psicologia etc. Nessa categoria eu cito dois exemplos: Pedagogia e Direito. Advogados cometem os maiores absurdos técnicos e científicos em nome da lei… Não entendem suas claras limitações em todas as demais áreas do conhecimento humano, e teimam em defender posições que fogem completamente da realidade. Um exemplo: converse sobre internet com um advogado. Discuta sobre downloads de MP3 e dinâmicas de redes sociais (Orkut) etc. Você se sentirá falando com seu avô…
E o pedagogo? Como professor eu tenho todos os motivos do mundo para pensar muito sobre questões pedagógicas, e odiar o pedagogo. Assim que como Desenvolvedor Web, odeio o gerente e o comercial. Todos os três fodem com qualquer chance de um projeto dar certo…
Mas um traço marcante no pedagogo é a não compreensão de porra nenhuma… Sério, os caras leêm uma teoria desenvolvida em salas de aula nos EUA, e esquecem que estamos no Brasil, num colégio público com alunos de Ensino Médio (2º Grau) que mal sabem ler… E por não compreender porra nenhuma, o pedagogo (que ocupa um cargo de coordenação) se limita a dizer “não, não e não”. Ele veta o que vier. Vetar é a única manifestação de poder e conhecimento que ele pode se permitir. Aí fodeu… E tal e qual o advogado, ele se mete em todos os assuntos, e precisa ter a última palavra, a opinião definitiva, ainda que não faça sentido algum…
Esse é mais um daqueles textos que deveria ser curto e vai ser divido em duas partes….









































Diego o seu texto está muito bem escrito, concordo em parte com você. Nas faculdades a maioria dos alunos é burra. A pior coisa é falar sem conhecimento de causa. agora se alguém reproduz algo e quiser discutir o que o autor quis dizer ponto pra ela. Mas ainda assim é melhor reproduzir do que aqules aventureiros que dizem ter lido tal ou qual livro e não leram e que citam Jung pensando que é Freud, ou ainda colocam nas penas dos grandes pensadores frases que nunca escreveram. Eu mesmo prefiro enciclopédias ambulantes do que pessoas vazias, ao menos essas falam com conhecimento de causa. Penso que todo homem erudito deve conhecer de tudo um pouco e não se restringir a uma área.
Muitos juriconsultos carecem de outros conhecimentos e isso é fato. Os advogados são as pessoas que mais deveriam ter amplos conhecimentos acerca de quase todas as ciências. pois lidam com pessoas e leis. Opa, não se esqueça que Paulo Freire era brasileiro e foi reconhecido internacionalmente, e que temos Rubem Alves, Mário Sérgio Cortela entre outros. Quanto as pedagogias de fora, penso que são muito bem-vindas. Se você não aceita é por reducionismo puro.
Diego eu também sou professor e aqui nesse ponto discordo totalmente de você. Não sou pedagogo (pretendo cursar mais para frente), mas creio na pedagogia. Pessoas são iguais em toda parte do mundo, uma mente sadia funciona praticamente da mesma forma no ensino-aprendizagem. Não devo aceitar Piaget porque este era suiço? Não devo aceitar Vigotsky porque ele era russo? Cuidado com a síndrome de ufanismo de Policarpo quaresma! Se assim for não devemos aceitar as leis da hereditariedade que foram descobertas por um monge austríaco e nem mesmo a Teoria da Evolução primeiramente proposta pelo francês Lamarck e depois pelo britânico Darwin.
Pedagogia e didática são importantíssimas ainda mais por causa dos inúmeros professores “sem noção” que entram nas salas de aulas, que outra coisa não fazem que não seja desensinar. É isso, abração Diego.
Fernando,
Como já dizia o açougueiro: vamos por partes. Eu não gosto do conceito “homem erudito”. Existem pessoas inteligentes e ponto. Um raciocínio rápido, senso crítico e uma mente brilhante destacam-se muito mais do que a erudição de um indivíduo qualquer. Sobre pessoas vazias e enciclopédias ambulantes: no fundo são a mesma coisa. Ter lido a obra de Freud e não sustentar um argumento frente uma crítica pertinente, vale de que? Qual a vantagem de ser um “academicista”, quando se é incapaz de produzir uma argumentação sólida, pensar pelas próprias pernas? Eu costumo brincar: Nietzsche não é muleta pra vagabundo, é dinamite para quem quer revolucionar um ou vários conceitos.
Sobre advogados: claro que existem ótimos. Assim como existem ótimos universitários, pedagogos, pedreiros etc. O foco da crítica são os medíocres, cuja vaidade os impede de crescer, de assumir sua insignificância diante do universo. Aliás, o texto inteiro é um ataque frontal àqueles que, no afã de fugirem da própria pequeneza, usam o conhecimento de forma reles. Resvalam na lama do “academicismo”, quando deveriam se elevar com seus próprios pensamentos. O saber deveria erguer o homem, não nivelá-lo ao chiqueiro das “massas intelectuais”.
Sobre a pedagogia: claro que é importante. Eu mesmo disse que tenho razões para “pensar a pedagogia”. Mais uma vez: a crítica se dá ao modo como a usam. Somos todos pessoas, meu caro, mas há diferenças enormes entre uma cultura e outra. E mesmo pertencendo a mesma espécie, somos fruto da cultura em que vivemos. O que reclamo é da falta de experimentos, no sentido de dar uma aplicação “brasileira” para uma teoria validada em um meio completamente distinto. É uma questão de método científico.
Veja que minha argumentação é linear: primeiro ataco o fato de não pensarem por suas próprias pernas, e depois mostro um exemplo prático – em um ambiente pedagógico, como vão aplicar Vigotsky e Piaget, se são incapazes de ponderar as diferenças de contexto e tempo? Mas ainda aqui, vale ressaltar, existem exceções. Pude conhecê-las e observá-las de perto. E é exatamente por ter visto exemplos de excelência, que me posiciono contra a mediocridade dominante.
Abraços,
Diego.
A erudição “papagueadora” é um mal, mas pior são aqueles que falam sem conhecimento de causa citando frases apócrifas desses pensadores. Claro, ensine a Teogonia de Hesíodo a um papagaio e ele será um erudito. Rui Barbosa dizia em sua época: “Vulgar é o ler e raroo refletir”. Penso que isso seja válido para os “universOTÁRIOS” de nossas universidades públicas.
Também conheço bons advogados mas são poucos, a maioria só conhece os códigos, passou disso, ignoram solenemente quaisquer assuntos.
No que tange a pedagogia Vigotsky, Wallon, Piaget, Freinet são patrimônio da humanidade e eles não são aplicados só no Brasil. Claro que a cultura influencia mas não é determinante. Wallon por exemplo, dizia que a emotividade está ligada ao fator da cogniscibilidade e isso é válido.
Agora entendo sua indignação Diego e partilho dela.
Novamente, abraços!
[...] último texto gerou alguma polêmica, né? Uns emails, comentários abertos do Fernando e o cunhado advogado do [...]
Franquias de pensamentos…
Freud = psicanalise
Deleuze = filosofia
[...] não estão bem Em defesa do foda-se Toda mulher quer um babaca; ou Ser o cara legal é uma merda Em defesa das minorias Matanza e o Universo Masculino Preconceito e Discriminação – Final – A máscara do [...]