A caixa preta da insegurança e timidez: medo de tentar
Quando falamos de timidez, existe uma tendência a focar na questão dos relacionamentos e abordagem, ou pior: reduzimos tudo à essa esfera. O que é uma inverdade – o tímido sempre perde oportunidades familiares, pessoais, acadêmicas, profissionais etc. Quantas vezes você gaguejou numa entrevista de emprego? E as apresentações de escola e faculdade? E aquela idéia que renderia uma bela promoção, se você tivesse coragem de apresentá-la? Quantos fins de semana chatos com a família seriam evitados, se você tivesse coragem de dizer que não estava afim de ir? Quantas oportunidades de viver a vida foram para o ralo, por causa da sua timidez? E se você olhar com bastante atenção, a maioria delas não tem nada a ver com relacionamentos…
Damos um valor exagerado para os nossos fracassos amorosos, e focamos todas as nossas energias em chorar pelos cantos todas as vezes que as coisas não fluíram como esperamos… Eu entendo que a timidez ocasiona solidão, e relacionar-se com outras pessoas é quase instintivo. Mas é um erro reduzir a timidez ao “eu não sei pegar mulher”! Um problema só é resolvido quando resolvemos encará-lo de frente, aceitá-lo e entendê-lo. Quando desmitificamos um problema e o encaramos “olho no olho”, por incrível que pareça a coisa fica muito mais fácil…
O tímido acredita numa “espécie de força sobrenatural” que o ronda, sempre impedindo que ele tome a dianteira ou faça algo. E todo tímido acha impossível superar essa “força sobrenatural”, ao mesmo tempo ele precisa deixar isso para trás. Na verdade, a vida do timido se resume a essa luta épica entre a vontade de ser algo melhor, e a aceitação do próprio fracasso. É uma vida inconstante, marcada por momentos de mudança (”A partir de hoje eu serei outra pessoa!”, “Hoje eu vou ser diferente” etc.) e apatia (”Não adianta, eu sou um fracassado… nunca vou conseguir algo melhor para a minha vida”). E assim o tempo passa em meio a esse turbilhão emocional, no vai-e-vêm dessa louca e entediante montanha russa de parquinho vagabundo (aqueles de exposição agropecuária de cidade de interior) que é a existência do tímido.
Não há força sobrenatural. Há apenas a sua timidez e seu medo de tentar, de se expor. Aliás, existe um ponto que vale ressaltar: o medo de de expor, tentar e fracassar é natural: todos nós sentimos isso. Mesmo os maiores homens da humanidade tiveram receio de algo. Afinal, já dizia meu finado avô: “quem tem, tem medo”. Isso não é ser tímido, e sim ser apenas humano. Acontece que o tímido vive num mundo só dele, construído a partir de uma visão distorcida e exagerada da realidade. E nesse espaço são vivenciados inúmeros devaneios e processos de auto-tortura, com requintes de masoquismo. O tímido tende a divinizar os amigos mais descolados, mesmo tendo visto anteriormente que eles são pessoas como nós, valoriza demais garotas que não fizeram por merecer tanto valor, dá importância demais para chefes e amigos que não são importantes, e morrem de medo de falar uma palavra sequer…
A vida de ninguém precisa ser esse roteiro de filme de terror com elementos de literatura fantástica. O tímido vive num mundo de fantasias, sustentado pelas mentiras que conta para si mesmo, com a finalidade de não encarar seus problemas de frente. A timidez é um mal passível de ser superado e deixado para trás, basta se dedicar ao tratamento correto: viver a vida de frente e tentar vivê-la, ainda que não saibamos como, ao certo. O que você quer fazer hoje, mas não fará por algum medo ou anseio? Falar com uma garota? Procurar um emprego? Mandar para o inferno alguém que te incomoda? Sair na chuva e gritar no meio da rua? Não importa, faça… Você vai escorrer litros de suor, tremer, vomitar etc. Mas ainda assim faça, tente e persista. Esse é o único remédio: tentar e continuar tentando!!!
Pare e pense: você pode tentar e falhar ou, você pode tentar e conseguir. Esqueça o resultado, sua meta é simplesmente tentar… viver a vida como você quer que ela seja. Você pode falhar inúmeras vezes, assim como irá ter sucesso em tantas outras. Mas acredite em mim quando eu digo: qualquer coisa é melhor do que viver a vida que o “cara tímido” leva…
Abraços,
Diego.









































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Pura verdade, Diego.
texto sábio.
Fechô!!! Issáááá!
Vlw a força, se todos os tímidos tivessem tal idéia, pena eu não poder ajudar a todos…será..