Vivendo e não aprendendo – Parte 2
Olá Pessoal,
O último texto foi um desabafo de quem trabalha diariamente com empresários, tentando vender estratégias de comunicação digital, e ainda treina novos profissionais para fazer o mesmo. É absurda a falta de planejamento e organização do empresário brasileiro. Mas ao desabafar as mazelas de quem tenta profissionalizar o mercado, eu acabei me tocando que eu tinha em mãos um tema para vários e vários textos: os nós do mercado de trabalho. Recentemente o Ravick fez um longo texto sobre as furadas de quem quer trabalhar em casa por conta própria. E é um dos nossos textos mais visitados através de buscas no Google. As pessoas abarrotam minhas turmas de WebDesign e Programação Web, procurando não tanto empregos, e sim a chance de viver como freelancers (trabalhar em casa, por conta própria). Revistas especializadas criam com uma frequência constante, matérias para freelancers seja com dicas de organização, atendimento e financeiro, ou simplesmente falando dos pormenores de quem leva a vida assim.
E eu me pergunto: por que cada vez mais jovens desistem do ideal “meu primeiro emprego”, e correm atrás do “meu primeiro freela”? Por que a indústria dos concursos públicos prospera à passos largos, entra ano e sai ano? Por que cada vez mais jovens procuram cursos técnicos, e desistem do modelo tradicional de educação: escola – faculdade – estágio – primeiro emprego? E o pior, por que cada vez mais vemos adultos, na casa dos 35 a 40 anos, formados em universidades públicas ou particulares, não importa, lotando cursos técnicos (WebDesign, por exemplo) e retornando ao mercado com salários de técnicos?
O mercado de trabalho, tal e qual as gerações anteriores conceberam, já não existe mais. Um empresariado perdido, atuando de forma descoordenada, sem uma visão a longo prazo, enfiando o pé pelas mãos, largado a esmo por uma série de governos sem políticas para impulsionar o crescimento do país, pelo contrário, apenas cobram mais e mais impostos, aprendeu a fazer uma única coisa: sobreviver. Um empresariado focado na sobrevivência, sem orientação ao crescimento e expansão, não pode oferecer segurança e estabilidade aos seus empregados. Se não pode oferecer algo básico como estabilidade, o que dirá chances de crescimento e realização profissional… Se o empresário não cresce, o funcionário não irá crescer também. Sem perspectivas de crescimento, o empregado corre atrás de outras alternativas. Na verdade, esse é o papo de revistas sobre negócios. O que acontece de fato é que com salários baixos, somos obrigados a procurar outras alternativas para completar renda: ter um trabalho fixo e fazer freelancers nas horas vagas; ir trabalhar como freelancer durante todo o tempo; fazer concursos públicos; abrir seu próprio negócio etc.
Centenas de milhares de empresas são abertas por ano, no Brasil. Segundo o SEBRAE, mais de 80% delas fecham as portas antes de dois anos de existência. A grande maioria delas nasce do mesmo desejo: sobrevivência e desespero. São pessoas que não enxergam um futuro em suas profissões; jovens que olham para frente e não querem seguir o mesmo caminho de seus ancestrais. Todos os meses as revistas especializadas em micro-empresários abordam sempre o mesmo tema: organização e planejamento. Por que isso? Porque esses empreendimentos baseados no desespero e achismo tendem só a piorar a situação do país. Com o mercado sofrendo profundas transformações, a classe média e os pobres cada vez mais achatados (falamos disso desde os anos 90, mas certas coisas nunca mudam), cada vez mais migramos para novos campos e novas tentativas, para não repetirmos o passado sob a forma de fracasso e frustração.
Eu só me pergunto, o que a próxima geração vai fazer quando perceber que: a tríade “faculdade – emprego – especialização” não resolve mais, pois não há empresas sólidas o suficiente para empregar a todos; abrir empresas desesperadamente traz mais prejuízos que lucros; o Estado não pode empregar a todos… Tento imaginar quais serão as saídas encontradas, e o como será mais profundo o desespero de quem chega no mercado de trabalho agora…
Abraços,
Diego.








































