Amor, liberdade e uma janela para o mundo…
Olá Pessoal,
A vida é engraçada! Onde menos esperamos, quando menos esperamos e nos momentos menos propícios, a gente se depara com certas revelações. E hoje eu finalmente consegui entender algumas coisas sobre o amor. Não é um tema no qual sou versado, então o que vocês lerão aqui são as impressões de um jovem que durante um momento de intensa meditação e reflexão pode, olhando de sua janela para o mundo lá fora, compreender algumas coisas sobre o amor e os problemas reais que o cercam. E também cabe avisar que, ao contrário dos meus outros textos, esse não tem caráter pessimista, dessa vez eu deixei que minhas questões flutuassem livremente pelo espaço e me levassem a caminhos novos e inusitados.
O Complexo do Seu Barriga
Confesso que minha experiência com relacionamentos foi bem desgastante. Términos problemáticos, namoradas problemáticas e finalmente um “eu problemático”. Um jovem carente cobrando feedback, atenção e carinho de outras jovens carentes, não podia dar certo… e nunca deu! Término após término, sempre a mesma história: brigas, raiva mútua e insatisfação generalizada. Durante vários anos sofri do que chamo, carinhosamente, de “Complexo do Seu Barriga”. Já pensaram que o Seu Barriga (aquele mesmo do Chaves) ganharia muito mais desistindo dos 14 meses de aluguel atrasados do Seu Madruga, e alugasse a casa para outro inquilino? Ele não consegue liberar o espaço e deixar o novo entrar. Ele não consegue abrir mão da dívida e seguir em frente. Assim fui eu, gastando minha vida cobrando feedback e retorno das minhas ex-namoradas.
Amor e liberdade
Carência, apego, paixão, posse, agressividade, impotência e insegurança… São sentimentos que acompanham todos nós, não é? Acho que irão nos acompanhar sempre. Mas agora que eu saio de mais um relacionamento de maneira confusa e conturbada (completamente diferente dos anteriores, isso é preciso ressaltar), ao invés de remoer raiva (claro que tenho meus momentos de raiva, aceitação, negociação, saudade, tesão, vontade de esganar e abraçar) eu consegui entender com clareza, algo que nunca havia pensado: “O amor não é prisioneiro de duas pessoas. Ele não vive, durante um certo período de tempo, entre mim e o outro. O amor é livre, ele vive eternamente na relação entre eu e o universo”.
O amor é a expressão máxima da minha liberdade, é o momento onde me integro ao universo e compartilho meu “eu” com todos vocês. Não é possível amar apenas uma pessoa. Quem ama, na verdade ama o mundo. O amor não nasce e acaba durante o relacionamento. Ele não é escravo de um casal. Ele apenas muda de lugar e direção. É sempre o mesmo amor, só que com uma máscara diferente. O genial Raul Seixas já falava disso, na poética e libertadora “A Maçã“. E ao entender o real sentido da liberdade (tal e qual expressa em Sartre, e no fantástico V de Vingança – os quadrinhos do Alan Moore), todos os sentimentos de posse e apego se esvaem. Não há sentido em possuir alguém. Não há razão para tornar outrem escravo da minha própria vontade, objeto de satisfação parcial da minha carência.
Amor comercial: amar ou ser amado?
Essa idéia de “possuir o outro” é vendida o tempo todo em livros, filmes e novelas. No grande mercado do amor, o objetivo não é alcançar uma verdade superior através da reflexão e auto-conhecimento, a grande jogada é consumir o máximo de “parceiros-objetos” para satisfazer as próprias necessidades. Quando o parceiro não atender mais a demanda, é trocado por um produto novo. As pessoas não aprendem a amar, apenas recarregam as “baterias” com uma periodicidade variável. Na verdade, essa é uma postura passiva de quem espera comprar ou negociar “o amor de outrem”. Eu quero é ser amado, e não entendo que o problema está em “amar”. O amor é ação, o resultado de um árduo esforço onde duas ou mais pessoas trabalham em direções comuns.
Abrindo os olhos
Eu já venho refletindo sobre isso há algum tempo. Intelectualmente, o livro “A Arte de Amar”, do psicanalista Erich Fromm, foi de grande ajuda para levantar a problemática do amor. Mas entender algo, não significa que você foi tomado por uma verdade, cada vez mais percebo que o entendimento não se dá no cerébro e sim na boca do estômago. Foi no fim da noite dessa terça em meio a um blecaute, quando lembrei que minha ex-namorada recente é fóbica, e no escuro ela deveria estar desesperada (ela mora no mesmo prédio que eu, porém sozinha no apartamento). Minha reação instantânea foi ligar para ela e tentar confortá-la, e verificar se ela tinha velas e tudo mais necessário. A resposta foi uma voz debochada e cansada, perguntando “Ooooi! O que é?”, e me informando que não estava em casa…
Após desligar o telefone, uma sensação de raiva de mim mesmo (”por que raios fui me preocupar e ligar?”) e ciúmes tomou conta de mim… Foram menos de cinco minutos, mas é o suficiente para envenenar a alma. Foi quando resolvi parar, pegar o MP3, ouvir um pouco de Kansas e Pink Floyd (Dust in the Wind, Confortably Numb e Shine Crazy on Diamond), controlar a respiração e meditar um pouco. A falta de luz e o calor absurdo me faziam escorrer litros de suor. Abri a janela e senti o ventro fresco percorrer meu corpo, enquanto algumas gotas de chuva respingavam em mim. Fechei os olhos, e deixei aquele vento me embalar, as gotas de chuva me deram uma sensação de frescor nunca antes experimentada, e por um instante eu fiquei completamente ausente de mim mesmo, em perfeita harmonia com a música e o ambiente.
Ao abrir os olhos, encarei a vista da minha janela… São três anos morando nesse apartamento, e nunca reparei no como é linda a vegetação do morro aqui em frente. Fiquei ali parado olhando para aquela beleza toda… Tornei a fechar os olhos, e agora todos os meus sentidos estavam dominados: a música inundava meus ouvidos, o vento sensibiliza até a última célula da minha pele, o cheiro de terra molhada invadia o meu nariz e pude sentir o gosto de toda aquela natureza que meus olhos cerrados não mais enxergavam. E ali de olhos fechados, pude enxergar essa verdade sobre o amor, e me senti livre pela primeira vez na vida. Não haviam mais ciúmes ou sentimento de posse. Pela primeira vez, minha liberdade correu solta pelo meu corpo, e extravasou para além de mim, estendeu-se até o resto do universo. E nesse instante, a única coisa que existiu foi o desejo mais profundo da minha alma: que outrem seja livre.
A minha felicidade não foi levada com o fim do relacionamento. Ela é só minha, e por mais que eu a compartilhe com vocês, ainda assim ela será só minha. É o meu projeto, é a minha responsabilidade. Eu sou como a vegetação que vejo a partir da minha janela: por mais que a tenham derrubado e queimado várias e várias vezes, durante os últimos três anos, ela sempre renasce e nos proporciona beleza e plenitude. Posso ser derrubado várias e várias vezes, mas na próxima estação eu irei florescer uma vez mais. E assim como a vegetação que nunca é a mesma, apesar de renascer das mesmas cinzas e no mesmo lugar, eu nunca sou o mesmo. Pois a essência da vida, do amor e da liberdade é a mudança… Somente livre posso mudar, e somente a mudança me fará livre.
Recomeçando…
Não há um fim para esse texto. Não há uma receita, e sequer uma lição moral. Quantas coisas eu não percebi ou vivi, assim como a vista da minha janela que só aproveitei hoje, depois de três anos e meio morando nesse mesmo apartamento? Hoje eu recomecei a viver. Uma verdade me libertou. Agora é reaprender a viver, e sugar ao máximo a essência da vida. Eu sei que continuarei a ter sentimentos de raiva, carência, insegurança e impotência. Porém, dessa vez eu me sinto preparado para encará-los de frente. Agora eu os entendo, ainda que um pouco. Uma vez livre, não há mais para onde fugir…
Eu não posso esquecer de mencionar o blog “Não Dois Não Um“, lugar onde encontrei bastante apoio nas mudanças dos últimos anos.
Abraços,
Diego.
































É bom tê-lo de volta meu amigo!!! A batalha entre o feio, a dor, a separação, a destruição, a criação e o padrão, o mundo visível, ou seja, dionisíaco o e apolínio é a grande superação de nossas vidas!!!
Para alegrar seu final de dia:
Ausência (Carlos Drummond de Andrade)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Aprecio sem moderação tudo o q escreve…sem palavras…
É difícil alguém definir-se. Diria que somos aquilo que os nossos conflitos inconscientes mandam que sejamos. Daí subscrevo Nietzsche quando diz: “Sem o caos dentro de si ninguém pode dar à luz uma estrela dançante”.
VC AINDA CONTINUA
FAVOR FAZER CONTATO
[...] Amor, liberdade e uma janela para o mundo… A caixa preta da insegurança e timidez: tentando abordar uma garota A perda da inocência: como me tornei professor Sua agenda tá cheia? O primeiro encontro Os meninos não estão bem Em defesa do foda-se Toda mulher quer um babaca; ou Ser o cara legal é uma merda Em defesa das minorias Matanza e o Universo Masculino Preconceito e Discriminação – Final – A máscara do politicamente correto [...]