Isso é um show do Matanza
Olá Pessoal,
Eu passo duas horas preso no congestionamento e contando os minutos para chegar. O calor é infernal e os que acreditam no Criador, aquele que rege todos os eventos do mundo, agradecem em oração, o fato do ar condicionado estragar e as janelas do ônibus serem travadas… O suor escorre pelo rosto, gruda na barba e toda hora me vejo obrigado a secar meus olhos, encharcados pelo suor dos meus cílios. E nada disso importa, pois daqui a pouco eu veria meu primeiro show do Matanza. Depois de anos sem entrar numa roda de hardcore, eu iria reviver meus bons tempos de adolescência e faculdade, e num show do Matanza!!!
Depois de muita espera, finalmente chego no lugar do show. Compro algumas Skol, pois cerveja não tinha no evento. Bebo aquilo com avidez. Nada iria retirar o encanto de estar ali, naquele ginásio de faculdade, esperando para ver e ouvir, ao vivo, a melhor banda dos últimos anos. Uma banda universitária terminava sua última música, eles até que tocavam bem, mas o vocalista era um babaca. O ginásio estava um tanto vazio e eu estranhava: “show do Matanza, de graça, e esse troço vazio ainda?”. A banda acabou e em 15 minutos começaria o show. Aproveitei para comprar mais Skol, e bebia rapidamente esperando ficar bêbado logo, e não precisar mais beber aquela merda.
Com menos de cinco minutos pro show, o ginásio ainda estava vazio. Pensei comigo, “é por isso que os caras não fazem show nessa cidade de merda”. Fiquei bem perto do palco, onde o som é melhor, as pessoas são mais animadas e claro, onde rola a porradaria. Um cara sobe no palco e pede para o DJ parar o som, cortando uma música dos Dead Kennedys, e avisa que o Matanza ia começar a tocar. Olhei para trás e não cabia mais uma formiga na porra do ginásio: quadra, arquibancadas tudo cheio.
A muralha sonora se levanta, o vocalista Jimmy Matanza entra no palco vagarosamente, encarando a platéia que pulava ao som do instrumental, e urrava “Matanza! Matanza! Matanza!”. Ele pega o microfone e imediatamente começa a cantar “Sabendo que posso morrer”. Eu tinha me esquecido o que era assistir um show de rock de verdade… Sem pirotecnia, efeitos especiais e essas viadagens “a lá Kiss“. Eu gritava e pulava como se aquilo fosse uma obrigação vital. Na verdade eu não pensava em mais nada, já estava em transe… Pela primeira vez em muito tempo eu não pensava nos problemas, na vida e na merda que tinha sido a última semana. Eu apenas urrava “Não saberia dizer o que eu quero / Quem eu espero, em quem acredito / Não saberia dizer o que vejo / Quando eu desejava era ter destruído / Coisas que eu faço sabendo que / Eu posso morrer / Coisas que eu faço na hora em que / Eu penso em você“.
Pessoas pulando, se jogando umas em cima das outras, querendo de qualquer forma extravasar tudo aquilo que as atormentava. Começava a porradaria. Só num show do Matanza consegue-se, em um estádio lotado, arrumar espaço o suficiente para se fazer uma roda de hardcore. Dezenas de pessoas, dançando, pulando e gritando jogavam-se umas contra as outras. Ombradas, cotoveladas e empurrões. Ninguém liga se vai perder ou ganhar. O único objetivo é brigar. Você não pode entrar numa roda, se importando se vai apanhar ou bater. Você tem que bater e apanhar. Isso liberta. Por quase duas horas eu esqueci o menino bem comportado, e deixei o animal homem extravasar toda sua raiva contida. Matanza faz isso com um homem: libera o monstro que existe dentro de cada um de nós.
Na roda de hardcore, você bate e empurra qualquer um, e apanha de qualquer um também. Você descobre que é possível olhar, apanhar e bater para todos os lados, pular e cantar a música, proteger as meninas que estiverem perto dessa zona toda, e ainda gritar para urro do vocalista, tudo ao mesmo tempo. Num show de rock, você aprende a delimitar o seu espaço. Você bate para não apanhar. As pessoas pulam e se jogam na sua frente, te empurram e se você não empurrar também, é jogado para fora. Ali você entende que só os mais aptos sobrevivem. Porque num show de rock, não importa se você é um brutamontes ou um nerd típico, dá na mesma. Ou você bate e defende seu território, ou então é excluído pela pancadaria.
Não importa quantas vezes você irá cair. Sempre terá alguém para te ajudar a levantar, e isso é um dos pontos altos de uma boa roda de hardcore. Somos extremamente éticos. Não queremos machucar ninguém, somos todos amigos, filhos da mesma repressão social, precisando deixar o nosso lado animal sair. Somos todos iguais e nos reconhecemos como tais. Se um amigo cai, ajudamos ele a levantar para que o mundo possa continuar girando. Se um se machuca, outros dois aparecem para ajudar. Há um que de solidariedade e cumplicidade no show de rock, que dificilmente vemos em qualquer outro lugar do mundo…
Mas e o Matanza…? Eles simplesmente abrem as portas para um contato mais íntimo com nós mesmos. Eles são músicos altamente competentes, e conseguem montar um show muito foda, sem nenhum recurso além de postura, atitude, competência e claro… qualidade! Ver o baixista tocando Thriller do Michael Jackson, enquanto a guitarrista trocava uma corda que tinha arrebentado, foi realmente divertido. Por ser um evento universitário e com uma infraestrutura ruim, houveram vários problemas. Mas a banda soube se safar. Ouvir Johnny Cash, só com o baixo e a bateria (o guitarrista ainda estava trocando a corda da guitarra), foi realmente muito bom. Enfim, pela primeira vez em anos meus ombros não estão duros de tensão. Saí do show encharcado de suor. Sério mesmo! Parecia que eu tinha acabado de sair de uma piscina, até a calça jeans estava ensopada. E pela primeira vez, eu senti a necessidade de dar um desconto para mim e curtir mais a vida…
Abraços,
Diego.









































Imaginei toda a cena….hauahauah….
Não, não é só Matanza que faz isso….Nação Zumbi também….até Cordel, do “seu” jeito, mas faz! e fora outras bandas que eu não me lembro agora!!
Beijos, Saudades!
Parabéns pela diversão!
Quando for ocorrer outros shows desses não me convide, please!
HEHE
Roberto,
Feito!
Abraços,
Diego.
[...] relação a este post do [...]
Nojeeeeeeeeeeeeeeeento né??!
(não é pra aceitar)
FALA sou eu o “Armandus” dono blog galeradobeko.blogspot.com
gostaria d fazer parceria
seu selo ja ta no meu blog
MAAAAAATAAAAAAAANZAAAAAAAAAAAA PORRAAAAAAA!!